Meu Presente de Final de Ano, Sobre Rodas, por Ricardo Albino

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No início de 2014, eu e a piscina tínhamos uma relação um tanto quanto estremecida. Senti-me como se minha família e meus amigos apostassem todas as fichas em um relacionamento sério entre nós. No entanto, os últimos encontros com a água foram bastante assustadores. Se comparada a um namoro, a chance de nos darmos bem parecia mínima. Era como se a água fosse uma mulher linda, porém brava demais para mim.

Quem seria o Anjo capaz de mudar a imagem que a piscina tinha da minha pessoa e também me ensinar a remar a favor da calmaria rotineira das águas, do bem físico, mental e emocional? Eis que conheço uma psicóloga,  gente boa, que percebeu meu interesse em nadar na direção contrária ao trauma e ao medo.

Para tentar cumprir uma missão a principio complicada, surgiu Anita. Com um enorme poder de fabricar sorrisos, a moça funcionou como cupido e, ao seu lado, dei as primeiras braçadas rumo à reconquista da confiança. Ela conseguiu sossegar um pouco a fera e mostrar que a água também sofre de TPM – Tensão dos Primeiros Mergulhos. Tal fenômeno acontece quando Dona água sente-se ameaçada pelo suposto inimigo ou adversário. A reação imediata são os famosos caldos.

Depois do primeiro encontro chegou o professor Felipe. Sabendo que eu não seria um recordista mundial, o principal desafio do meu novo parceiro era aprofundar a convivência e a amizade entre eu e a piscina. Durante dois meses, os únicos momentos que o medo me fazia remar contra a maré, era nadar de costas. Aliás, ainda resta certo pânico. Mas superar é preciso e, nada mais justo que depois de algum tempo paquerando a piscina, do lado de fora, à espera de uma vaga, nosso reencontro fosse marcado para um lugar onde SUPERAR é o nome de batismo.

Lá encontrei a fisioterapeuta Juliana e juntos fizemos um pacto com São Pedro. Todas as quartas e sextas-feiras a chuva só poderia chegar depois do meio dia; ele ouviu e atendeu o nosso pedido. Começamos como diz a música de Martinho da Vila “devagar devagarinho”, até que faltando uma semana para o meu aniversário recebemos a notícia da realização de festival de natação e que eu já estava inscrito. Então pensei: seria a melhor hora de participar desse evento de tamanha grandeza? Por outro lado, sabia que estar ali era a oportunidade de conquistar um grande presente de fim de ano. Para minha surpresa, estou nadando melhor do que esperava. Minha prova foi de 25m ida e volta. Fui tão rápido que meu pai escalado como fotógrafo perdeu meus mergulhos e braçadas; percebeu que eu tinha ido quando já estava voltando.  Ainda bem que no pódio, para variar, fiquei bonito na foto! Confesso que nadei pedindo a Deus e a todos os Santos proteção até ao final da prova, pois, sabia que um novo susto poderia causar o divórcio, antes mesmo do casório com a piscina.

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A medalha de participação, mais que uma conquista, simboliza superação, pois, há um ano eu nem pensava na possibilidade de entrar novamente. Hoje, sei que não serei um futuro Daniel Dias nem tão pouco um Cielo, mas, tenho certeza de que posso ser um campeão da diversão e medalhista de ouro na promoção da saúde.

Ricardo Albino, jornalista, Coluna Sobre Rodas / Tudo Bem Ser Diferente

ricjornalista@hotmail.com / http:// HYPERLINK “http://ricardo-albino.blogspot.com.br

Fotos de arquivo pessoal

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