A Lei das Diretrizes da Inclusão Escolar de Belo Horizonte. Porque os pais querem a escola especial? Por Cristina Silveira

cristina 2Desde 1996, quando a Lei  9.394  que estabelece as diretrizes e bases da educação  nacional – LDB foi publicada, as instituições escolares estão “tentando” se adequar à nova demanda para se construir de fato uma educação inclusiva. Sim, um passo e tanto! Que excelência no processo educativo do Brasil!

Mas, apesar de sabermos da importância dessa inclusão para as crianças especiais, as ações efetivamente implantadas não foram suficientes para fazer valer a Lei em toda a sua abrangência. Pouca coisa se fez e o processo ainda corre muito lento e moroso. Houve muitos discursos, muitas “concordâncias” e “discordâncias veladas” quanto à nova legislação. E como toda inovação é difícil, com a educação inclusiva não seria diferente.

Por outro lado, algumas escolas tentaram mesmo acertar. Mas a inclusão escolar, na excelência da palavra é um processo complexo, que exige um trabalho conjunto de políticas públicas, famílias, profissionais, escolas e de toda a sociedade. Falta de tudo: Recursos financeiros, capacitação adequada dos professores, equipamentos, materiais. Mas o que está faltando e costura todo esse processo é ACREDITAR que a inclusão escolar é possível e principalmente, que a criança especial pode APRENDER. Isso requer mudança de cultura, além de exigir tolerância, reciclagem de valores, vontade real de aceitar e LIDAR com o diferente diariamente.

Na realidade, acompanhando diversas famílias durante todos esses anos, o que testemunhei foi um processo duro, onde encontramos profissionais dedicados e outros nem tanto. Escolas compromissadas com a inclusão, outras nem tanto. Vimos de tudo. Crianças sentadas no fundo da sala ou nos pátios, sem ensino adequado às suas limitações. Professores perdidos. Estagiários ao lado das crianças se divertindo em seus telefones no facebook. Famílias cansadas de lidar com a rejeição, descaso e em muitos casos o bullying. A sensação era de que as instituições escolares estavam “fazendo um favor” àquelas famílias em receber o seu filho especial. Isso dói em nós profissionais, imagine nesses pais e mães que acreditaram no processo de inclusão.

Quantas vezes vi nos olhos dos pais a decepção, mesmo depois destas famílias terem ido buscar apoio judicial, no ministério publico ou na defensoria para a inclusão adequada dos seus filhos. Buscaram apenas a obediência à Lei!

Essa Lei Municipal publicada em Belo Horizonte vem mostrar claramente que as famílias não se deixam mais se levar por um discurso de inclusão vazio. Elas querem mais para os seus filhos, querem uma educação verdadeira!

Querem planos de desenvolvimento, acesso a metodologias e técnicas de ensino adequadas, proteção contra o bullying, qualificação para os professores, participação da família!  É querer muito????

Sinceramente, ainda acredito no processo de inclusão escolar e trabalho a cada dia para que isso aconteça. Assim também existem inúmeros profissionais, familiares e escolas que também trabalham por isso.

Quem sabe esse “grito de alerta” da sociedade Belorizontina vem alertar os responsáveis pelas políticas publicas do nosso pais para essa demanda urgente !!!!!!?

Acreditem: É POSSÍVEL FAZER UMA INCLUSÃO ESCOLAR VERDADEIRA!

Cristina Silveira é Psicopedagoga

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