A MEDIAÇÃO ESCOLAR E A IMPORTÂNCIA DA AGENDA (DIÁRIO DE BORDO) NO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA ESPECIAL

O que é mediador?

Mediador escolar é o profissional que acompanha a criança de inclusão dentro de uma sala de aula, em uma escola regular de ensino. Segundo alguns autores, o conceito de professor mediador já foi utilizado para caracterizar aquele que “trabalha com a mediação pedagógica, significando uma atitude e um comportamento do docente que se coloca como um facilitador, incentivador ou motivador da aprendizagem, que ativamente colabora para que o aprendiz chegue aos seus objetivos” (Mousinho). Esse profissional deve ter formação em curso superior concernente a área da educação ou saúde, a saber: fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos, pedagogos, psicopedagogos, fisioterapeutas, sempre acompanhados pela equipe terapêutica da criança ou adolescente e pela equipe escolar.

Em outros contextos escolares, principalmente em escolas públicas, costuma-se contratar estagiárias, que podem ser estudantes de fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia ou pedagogia, para desenvolver um trabalho de acompanhamento com a criança, desde que supervisionado por um profissional da respectiva área.

Quais são as habilidades do mediador?

O mediador escolar deve ter a aptidão e as habilidades interpessoais necessárias para desenvolver e manter relações de empatia com as crianças, suas famílias e demais profissionais que as assistem, já que sua função além de mediar a aprendizagem para a criança, é também a de intermediar os vários ambientes e pessoas que convivem e trabalham com a criança.

Além da mediação social, onde é realizada a intermediação nas questões sociais e de comportamento, na comunicação, na linguagem, nas atividades e/ou brincadeiras escolares e nas atividades dirigidas, deve ainda adaptar a estrutura física em todas  as dependências da escola, no pátio e nos passeios escolares. Deve acompanhar a criança ao banheiro, principalmente se estiver com objetivo de desfralde, auxiliando nos hábitos de higiene, promovendo independência e autonomia no decorrer da rotina.

Mas uma das principais funções desse profissional é o acompanhamento de atividades pedagógicas na escola. Os mediadores escolares também prestam apoio aos professores em sala de aula. Eles ajudam com as atividades e trabalhos de adaptação individualizada, aplicando o PDI – Plano de Desenvolvimento Individual e ajudando a apoiar as crianças na aprendizagem e na aplicação de material proposto nas adaptações curriculares.

Quais são as tarefas de apoio pedagógico do mediador?

Mesmo com o PDI pronto para ser seguido, o mediador deve ter ciência de que o aluno especial é surpreendente, e é possível que em determinado dia, possa recusar-se a realizar as tarefas indicadas no plano. Nesse caso, cabe ao profissional utilizar a sua criatividade para inserir uma atividade alternativa ao aluno que acompanhe o plano pedagógico indicado. Ou seja, ser capaz de improvisar recursos para a criança conseguir executar as tarefas.

Outra dica importante é envolver sempre o mediador na elaboração do PDI. Ele poderá auxiliar o técnico responsável nessa função, indicando adaptações, materiais e alternativas, já que acompanha o aluno de perto, diariamente. Mas para isso é extremamente necessário que ele esteja atento quanto ao calendário escolar e ao planejamento semanal pedagógico da turma. Além disso, poderá auxiliar na adaptação de provas e avaliações sugerindo a melhor forma de aplicação dos exercícios, dependendo da limitação do aluno.

Em relação à criança, o mediador pode realizar as seguintes tarefas, segundo Mousinho:

  • Motivar o desempenho da criança sempre, estimulando-a a persistir e a manter a atenção na tarefa;
  • Buscar temas do seu interesse que possam ser utilizados como recursos para atingir um determinado objetivo pedagógico;
  • Desenvolver memória de informação factual e trivial através de jogos;
  • Praticar a reflexão sobre estratégias alternativas e aprender a pedir ajuda – flexibilidade do pensamento;
  • Leitura, soletração, cálculo – observar se e quando a criança está utilizando uma estratégia não convencional e auxiliá-la a compreender o processo realizado;
  • Pensamento visual – encorajar visualização usando diagramas e analogias. A aprendizagem visual é frequentemente melhor;
  • Modificar estruturas de perguntas de interpretação de textos;
  • Escolher os conteúdos mais relevantes para serem trabalhados. Ações devem envolver os alunos no mundo real; isso vai constituir oportunidades para a participação ativa, dirigir seus aprendizados, proporcionar desafio;
  • Usar grupos flexíveis. Os grupos devem ser baseados nos objetivos, interesses, necessidades e habilidades. Agrupamento de alunos com necessidades semelhantes e diferentes necessidades devem ter lugar, conforme o caso, para permitir aos estudantes a compartilhar e ensinar uns aos outros;

Qual a relação entre mediador – família – técnicos ?

O Mediador, por acompanhar de perto o desenrolar da escolarização, deve reportar aos pais sobre os fatos mais importantes ocorridos na sala de aula e no ambiente escolar, além de verificar quais foram as situações mais favoráveis de estimulação para aquela criança e possibilitar a sua generalização no ambiente de atendimentos (psicologos, psicopedagogos, Terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, etc) e com a família. As estratégias de estimulação e intervenção pedagógicas que não forem bem sucedidas devem orientar futuras tentativas/intervenções e o mediador tem papel crucial nessa avaliação. Mas para isso, é necessário que seja utilizado a agenda, ou do “ diário de bordo”.

Porque o mediador deve utilizar a agenda ou o diário de bordo?

Esse recurso é imprescindível para realizar a avaliação das estratégias e técnicas de ensino alternativo indicadas no PDI.

É na agenda ou no “diário de bordo”, que o mediador registrará, diariamente, as reações e o envolvimento do aluno com as adaptações realizadas, bem como do seu envolvimento com o conteúdo pedagógico abordado naquela ocasião. Sem essa avaliação e feedback, o psicopedagogo responsável pela modificação curricular, poderia ficar mais distante de um resultado acertivo, impossibilitando dessa maneira a aprendizagem real da criança.

É ainda na agenda, que o mediador descreve fatos relacionados ao comportamento da criança, sua linguagem e seu desenvolvimento motor, apontando seus avanços e dificuldades, em tempo real. Tais apontamentos são imprescindíveis para a avaliação da continuidade de técnicas utilizadas pelos demais profissionais que cuidam da criança fora do ambiente escolar (Psicologos, T.O. Fonos, Fisioterapeutas, etc).

Cristina Silveira

Psicopedagoga, Psicanalista, Neuropsicopedagoga, especialista em educação inclusiva

(36588830)

Referencias Bibliográficas:

Revista Psicopedagogia –  vol.27 no.82 São Paulo  2010

– Teacher assistant and inclusive education: review, tips and reflections (R. Mousinho)

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