Como escola e famílias dos colegas podem colaborar? Mundo Asperger, por Victor Arthur Silva de Mendonça

10846498_930226836987792_3510927831802893995_nDurante minha trajetória escolar, passei por alguns colégios, tendo inclusive, estudado até os 11 anos sem nenhum diagnóstico. Portanto, tenho bagagem suficiente para saber o que costuma dar certo com relação à educação inclusiva. Minhas experiências são prova real disso. E se fui vitorioso ao concluir o ensino médio e passar no vestibular para jornalismo, isso se deve à aceitação de meu transtorno.

Mas o que seria essa aceitação? No caso de crianças pequenas, ela primeiro deve vir dos pais e dos profissionais que a acompanham. Posso imaginar o quanto deve ser difícil para o pai e uma mãe que sonhavam com a criança perfeita descobrir que ela possui uma dificuldade como essa. É engraçado, mas eles chegam até a esquecer de um fator básico da vida: ninguém é perfeito. Essa criança vai enfrentar dificuldades específicas da síndrome? Vai, claro.  Mas descoberto o diagnóstico, é hora de fazer o possível para dar a essa criança a melhor vida que ela possa ter, até que chegue um ponto que o menino ou menina cresça e adquira capacidade e maturidade para controlar o destino com as próprias mãos.

Infelizmente, muitos pais tendem a varrer para debaixo do tapete o diagnóstico. Frases como “Ele só é muito inteligente” são uma forma comum de negar algo que veio junto com a criança e, pelo menos até agora, não tem cura. Mas tem tratamento, existem meios de transformar essa realidade para que o aspecto pior da síndrome se manifeste cada vez menos.  Quando se aceita a existência do problema, começa a busca pela solução. Não adianta trocar a criança de escola pensando que se mudar o ambiente, vai ser diferente. Se não houver um trabalho com a própria criança, que permita que ela mantenha sua essência e ao mesmo tempo tenha ensinamentos sobre como conviver em sociedade, esse “carma” se arrastará por onde ela for.

Por fim, minha dica é: entrar em conflito com a escola raramente é uma boa ideia. Você certamente vai querer que aquele seja um ambiente harmônico para o seu filho. E através do diálogo com profissionais competentes e dedicados a lidar com o diferente, pontes são construídas para que o asperger chegue a lugares que antes pareciam impossíveis de serem alcançados. Que as medidas extremas, fiquem só para os casos extremos, quando é negado à família, o direito à educação inclusiva.

*Victor Arthur Silva de Mendonça tem 17 anos, possui a síndrome de asperger, diagnosticada aos 11 anos. Foi aprovado no vestibular do curso de jornalismo do UniBH e possui uma coluna sobre cinema na Revista Estrada da Serra. É também assistente de produção do programa Fala Comigo, da Rádio Itatiaia. victormendonca97@hotmail.com

Anúncios