Uma Convergência Acessível Cultural, Sobre Rodas, por Ricardo Albino

reporterComo é bom poder se comunicar. Essa semana pude sentir de perto o quanto é possível construir, ainda que os envolvidos direta e indiretamente na ação não tenham notado a grandeza de tal ato, uma convergência acessível cultural em Belo Horizonte. Tudo teve inicio quando um amigo, autor de uma matéria comigo para o jornal da faculdade na qual me formei, me avisa que uma colega de trabalho dele leu a reportagem e perguntou se poderia me telefonar. De uma pagina de jornal, passamos velozes pelas redes sociais e poucos minutos mais tarde, antes da minha primeira colherada de almoço, tocou meu telefone. Era a TV me chamando para observar em loco, não como jornalista, mas como cidadão e principalmente consumidor que sou orgulhosamente, se aqui a Cultura e a Lei andam de mãos dadas com acessibilidade e inclusão das pessoas com deficiência e mobilidade reduzida.

Por um momento a dúvida parou no ar. Nosso encontro estava a espera de confirmação via e-mail. Confesso que cheguei a pensar que a produtora de bela voz tivesse desistido de colocar o rosto desse simpático cronista na telinha. Tudo acertado, o pessoal da equipe chega a minha casa em um estiloso carro preto e sigo na companhia de Silvana, por sinal minha contemporânea de faculdade, a repórter inclusiva do cabelo cacheado e do cinegrafista também chamado de homem da máquina e que para uma reportagem de importância nacional não poderia estar de fora. Afinal, o rapaz traz o Brasil no próprio nome.

Para não perder o bom hábito, fiz o acordo de pauta compartilhada. Era entrevista para lá e crônica para cá. Levei minha mãe para me ajudar e matar saudade dos tempos que namorava papai no escurinho do então cine Brasil, uma das escalas do nosso delicioso passeio. Na Praça Sete, além da bela reforma que garantiu um premio nacional de acessibilidade na categoria Equipamento Cultural 2013, diga-se merecido ao novo e moderno cine teatro, a visão e o som do centro gerou em mim uma emoção diferente. No mesmo local, o barulho dos carros se misturando com o som de uma sanfona, abafada pelo sono profundo de jovens deitados no banco enquanto nós, do alto das janelas e dos camarotes tentamos nos comunicar com a arte em meio a um palco vazio.

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Ao lado da pequena grande repórter, fiquei imaginando quais cores a inclusão cultural tem. Fui tentar descobrir a resposta no Museu Inimá De Paula. Vi rampas, um lindo elevador antigo e uma enorme e ampla sala, daqueles que senti vontade de disputar uma corrida de cadeirantes. Na agradável companhia da Morena que me acompanhava, lembrei-me das aulas de artes em cada obra abstrata ou não que via nas paredes. De tão bom que estava ali pedi Silvana o microfone emprestado e a repórter por um instante por mim entrevistada, pintou a minha alegria ao dizer como um expectador enxerga a acessibilidade cultural.

Ricardo Albino, jornalista, Coluna Sobre Rodas / Tudo Bem Ser Diferente

ricjornalista@hotmail.com  http://ricardo-albino.blogspot.com.br

As opiniões aqui publicadas são de responsabilidade do colunista.

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