O fim de semestre na vida do estudante asperger, Mundo Asperger, por Victor Mendonça

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Perguntar para um universitário como ele está em fim de semestre é ter pouco amor à vida. Fim de semestre não é fácil pra ninguém – professores, alunos e funcionários. A carga de trabalhos é violenta, as provas, as aulas, as atividades extras. É pressão por todos os lados.

Imagine no meio disso tudo, o asperger. Para ele, que já despende o dobro de energia para realizar as mesmas tarefas de seus colegas, o ideal é um planejamento rigoroso, que seja seguido à risca, ambiente sem grandes tensões. Com pouco barulho e pessoas serenas e equilibradas. Alguém conhece uma universidade assim? Talvez em shangrilá, mas não por aqui, com certeza.

E como os aspies não habitam shangrilá, o jeito é tentar se adaptar por aqui mesmo. Neste período, é preciso contar muito com o apoio dos colegas e dos professores. Não dá para ficar em sala o tempo todo. Se o asperger insistir nisso corre o risco de uma crise daquelas que, convenhamos, não é nada agradável de ser compartilhada.

Por isso, não é incomum ver o asperger sair da sala de aula, no auge da agitação pre-apresentação de trabalho. Ou mesmo quando os colegas estão à beira de um ataque de nervos por causa das matérias e trabalhos acumulados.

Em momentos assim, o bom mesmo é reconhecer a própria limitação, bater numa retirada estratégica para voltar mais fortalecido depois.

A organização também, não está entre as qualidades do aspie. Então esse negócio de receber cada hora um email, ou whatsapp ou acessar o site e descobrir um trabalho novo, costuma tumultuar a cabeça do asperger que passa a ficar mais agitado em casa, sem chance de a família saber o porquê.

Nessa hora, mais uma vez, é preciso ter humildade e recorrer à ajuda de um colega ou até da mãe para organizar uma agenda possível de ser cumprida. E se a carga ficar pesada demais, é importante procurar o NOPp – Núcleo de Orientação Psicopedagógica e traçar estratégias em conjunto para vencer esses obstáculos.

Agora, se a esse quadro se somarem problemas em casa e doença de familiares, tudo se complica e pode levar a um desfecho tenebroso. Então, antes que isso aconteça, é importante ter o acompanhamento de um bom profissional e manter a medicação em dia. Afinal, ninguém é de ferro não é mesmo? Gente foi feita pra se cuidar e então, brilhar!

Ouça aqui o áudio da coluna!

*Victor Mendonça tem 18 anos, possui a síndrome de asperger, diagnosticada aos 11 anos. Atualmente, estuda jornalismo no UniBH e é colunista e repórter da Revista Estrada da Serra. victormendonca97@hotmail.com

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