Práticas pedagógicas inclusivas: suporte ao professor

Suporte ao professor, fonte Revista Sentidos

Autores dão dicas de práticas pedagógicas inclusivas. Conhecer o aluno é o primeiro passo, diz especialista

Por Leonardo Guariso Fotos Shutterstock

Esperar que o mesmo educador seja capaz de abordar diversas necessidades é fantasioso

Evidentemente, há outros aspectos a serem abordados. Muita informação deve ser obtida dos pais e também da equipe – médicos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas – que atende o estudante. E, claro, do próprio aluno. “Para um estudante com baixa visão, nada melhor do que ele mesmo dizer se há muita ou pouca luminosidade para enxergar o quadro”, explica Selma Inês Campbell, autora do livro Múltiplas faces da inclusão (Wak, 2009). Os educadores também são fontes importantes: “Professores de séries anteriores podem nos esclarecer quais habilidades o aluno já desenvolveu”, conta.

Fotos Shutterstock
Para um estudante com baixa visão, nada melhor do que ele mesmo dizer se há muita ou pouca luminosidade para enxergar o quadro

Difícil aceitação
E quando a pouca informação referente aos estudantes com necessidades específicas parte da turma? Campbell afirma que preconceito vem de desconhecimento, e esclarecer é o primeiro passo. “A escola deve cultivar valores como respeito ao próximo e solidariedade”, explica. Vale até uma conversa com a família do aluno.Vencidas essas dificuldades, que podem ser superadas por ações em conjunto com gestores e demais profissionais do colégio, o professor poderá elaborar atividades para serem realizadas em grupo – no caso dos pequenos, o modelo pedagógico criado pela educadora italiana Maria Montessori (1870-1952), caso ainda não seja utilizado.

Para Ler
Fotos Shutterstock

Práticas pedagógicas para inclusão e diversidade,
Eugênio Cunha, Wak Editora

Fotos Shutterstock

Múltiplas faces da inclusão,
Selma Inês Campbell, Wak Editora

“Os materiais montessorianos podem ser manipulados de diferentes maneiras, porque são sensoriais e de conceitos universais, relacionando-se com o todo”, explica Cunha. De acordo com o autor, eles foram inspirados na educação especial, mas podem ser usados por todos os alunos.

No método, peças sensoriais geométricas – pirâmides e esferas de tamanhos diferentes -são utilizadas para apresentar a linguagem. Cada uma delas tem uma cor e possui um significado linguístico. Com isso, o aluno pode montar uma frase, juntar um substantivo a um adjetivo, aprender geometria ou até mesmo desenvolver a coordenação motora. “Esses materiais introduzem as sementes do interesse, da qual a criança colherá frutos nas próximas fases da educação”, afirma.


Um professor, mil funções 

É preciso deixar uma coisa clara: esperar que o mesmo educador seja capaz de abordar diversas necessidades é fantasioso. “Um professor hábil para lidar com surdez não pode ser o mesmo para lidar com cegueira, pois os recursos são diferentes”, afirma Campbell. É aquela velha história do músico que sabe tocar um pouco de guitarra, de baixo, de violão, de bateria e de teclado, mas que, na realidade, não é expert em nehuma delas, pois não se especializou em nada. “É condenar tanto o aluno quanto o professor ao fracasso”, finaliza

Anúncios