A prática da intervenção do psicopedagogo na educação inclusiva, por Cristina Silveira

Muito tem se falado sobre educação inclusiva atualmente. Nunca se falou tanto sobre o assunto. Nas redes sociais testemunhamos vários cursos sendo ofertados, bem como grande quantidade de materiais alternativos expostos, o que acho muito válido.

Mas o que de fato aproveitamos de tudo isso na prática ?

Para montar um curso, deve-se levar em conta todos os aspectos que envolvem o atendimento de um aluno de inclusão. E para ser um curso completo, que aborde todos as nuances de um acompanhamento psicopedagógico adequado levaríamos alguns dias, não algumas horas. Portanto, na minha opinião, o profissional ou os pais estariam melhores capacitados e apoiados se fizessem uma boa supervisão.

Ou seja, a intervenção psicopedagógica perpassa por várias etapas, que devem respeitar as características únicas de cada aluno de inclusão. E isto envolve diversas etapas, que são UNICAS, em cada caso:

1) Avaliação psicopedagógica individual:

Nessa avaliação, deve-se utilizar testes e métodos avaliativos concernentes com as necessidades e com o diagnóstico do aluno. Às vezes testes aplicados em um aluno específico, não cabe eu outro aluno, que tem um diagnostico diferenciado ou apresenta uma dificuldade diferente. Ou pode apresentar habilidades diferenciadas que exigem novos instrumentos avaliativos.

– Para separar o grupo de testes e avaliações a serem aplicadas em cada caso, deve-se realizar uma anamnese completa com a família e nesse caso, a família pode não se restringir somente aos pais. Dependendo do contexto, deve-se entrevistar outros colaboradores que fazem parte da rotina da criança ou do adolescente. Anote tudo ou grave as entrevistas, com a permissão do entrevistado, claro.

– Uma visita à escola para conversar com a coordenação é imprescindível. Avalie a metodologia utilizada com o aluno. Faça um rastreamento da rotina da criança na escola e as intervenções do professor, do mediador e do orientador escolar. Avalie tudo: dentro de sala de aula, nos intervalos, no recreio, na biblioteca, na educação física, TUDO!

– Peça o plano pedagógico da escola do ano em que seu aluno esta matriculado.

– Faça uma ou mais sessões diagnósticas com o aluno. Observe seu comportamento e a percepção que ele tem da situação escolar e mesmo familiar. Brinque, use jogos, filme. Se não for possível devido ao diagnóstico vá à escola e na residência do mesmo e o observe nesses ambientes.

– Converse com os outros técnicos que atendem a criança: Psicologo, Terapeuta OCupacional, fonoaudiologo, médicos, etc.

– Feito isso, separe os instrumentos avaliativos a serem utilizados e proceda à avaliação.

– Se possível, peça ajuda de outro profissional ou estagiário nesse processo. É sempre útil ter uma outra opinião.

2) Perfil diagnóstico:

– Com o resultado dos testes prontos, cruze todos os dados obtidos com as anamneses e as suas observações clínicas e monte um perfil diagnóstico do aluno.

– Descreva suas habilidades e inabilidades detalhadamente.

– Avalie todas as possibilidades, pesquise as melhores técnicas de intervenção para aquele caso.

– Estude o perfil do aluno e da família.

– Com o perfil diagnóstico pronto, mãos a obra! Vamos montar um plano pedagógico.

3) Plano Desenvolvimento Individual ou Plano Pedagógico:

– Estude o plano pedagógico da escola para o semestre.

– De acordo com as habilidades do aluno, cruze os dados. Simplifique, enxugue os conteudos ao máximo, de forma que não fuja dos objetivos iniciais.

– Estabeleça prazos e metas a cumprir para cada quesito, conteúdo ou matéria.

– Eleja os colaboradores: família, mediador, professor de apoio em casa e dê a função de cada um.

4) Construa o diário de bordo:

– Um diário que anda com o aluno é imprescindível para que escola, família e técnicos possam acompanhar o seu desenvolvimento diário.

– Monitore o que esta sendo descrito. Exija, complemente, se envolva.

 5) E por ultimo elabore os materiais necessários:

– Essa é a ultima fase porque iremos elaborar materiais estritamente necessários e direcionados para AQUELE aluno em especial.

– Avalie se o material foi aceito e se é funcional para o caso.

– Deu resultado? Ótimo, mantenha. Não deu resultado? Ótimo, transforme ou retire e coloque outro.

6) Avaliação mensal:

– Avalie mensalmente o seu aluno. Para isso, monte um prontuário ou ficha individual.

– Durante as sessões, observe o que está sendo trabalhado e o que ele está desenvolvendo de fato.

– Realize modificações no plano, se houver necessidade.

– Reuna-se com todos os envolvidos. Pergunte, questione, acompanhe de perto as ações de cada um.

7) Estude. Estude MUITO.

Enfim, como vimos o processo não é tão simples. E nós nem falamos das técnicas e dos instrumentos avaliativos. Sabe porque não falamos? Porque esse assunto é individual, para cada aluno em especial. Por isso, proponho supervisões. São mais produtivas e acertivas.

Fica a dica!

Cristina Silveira

Psicopedagoga, Psicanalista

Neuropsicopedagoga

Especialista em Educação Inclusiva

(031) 36588830)

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