Os cinco sentidos podem dificultar a vida do asperger, Mundo Asperger, por Victor Mendonça

Ninguém precisa andar com uma placa de: ‘eu tenho autismo’ na testa. Mas quando o outro sabe disso, pode ser libertador. Eu sei que as pessoas, num primeiro momento, se aproximam da gente querendo ajudar. Mas, verdade seja dita, nem sempre conseguem. Comigo, já aconteceu de uma amiga chegar até mim e dizer: ‘você não precisa falar pra ninguém que tem uma síndrome. Temos de ser maiores que a doença, não podemos entregar os pontos.’ Pode até ser que funcione no caso de uma gripe. Se, ao primeiro sintoma a pessoa correr pra cama, já era. Mas com certeza, este não é o caso de um autista.

Imagine, numa festa, o asperger colocar as mãos sobre os ouvidos e sair para um canto qualquer. Se ali ninguém souber que temos a percepção sensorial deslocada a coisa pode parecer muito estranha. Isso quer dizer que audição, olfato, paladar, toque, sensações que passam despercebidas no dia a dia de qualquer pessoa podem ser doloridas para o asperger.

Assim, muitas vezes, o autista parece estar distraído ou em outro planeta, mas ele só está tentando se defender de tantos estímulos. Coisas simples como ir ao Supermercado pode ser um inferno para o asperger. A audição é muito sensível. E assim, quando muitas pessoas falam ao mesmo tempo, mais música, anúncios, barulho da caixa registradora, celulares tocando, crianças chorando, pessoas tossindo, luzes fluorescentes – nossa, dá um nó no cérebro. É muita informação. Nessa hora, podemos até perder o controle e começar uma crise daquelas. Não é birra não, é estresse mesmo! Além disso tudo, o autista não consegue separar os cheiros e começa a passar mal.

Mas o sentido principal do autista é o visual. Então, a visão pode ser o primeiro sentido a ser super-estimulado. A luz fluorescente não é somente muito brilhante, ela pisca e pode fazer um barulho. O quarto parece pulsar e isso machuca os olhos do autista. Esta pulsação da luz cobre tudo e distorce o que ele vê. O espaço parece estar sempre mudando. Até o brilho vindo de uma janela, são muitas coisas para desconcentrar o cérebro autista. Não para por aí, não. O ventilador, as pessoas andando de um lado para o outro… Tudo isso afeta os sentidos e dificulta a percepção do corpo para o aspie. Então a receita é uma só. “Muita calma nessa hora”. Nada de perder a paciência e achar que o autista procura chifre na cabeça de cavalo. Temos apenas, um jeito diferente de perceber o mundo!

*Victor Mendonça tem 18 anos, possui a síndrome de asperger, diagnosticada aos 11 anos. Atualmente, estuda jornalismo no UniBH e é colunista e repórter da Revista Estrada da Serra. victormendonca97@hotmail.com https://www.facebook.com/omundoasperger?fref=ts

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