De cadeira na primeira (divisão do campeonato!), Sobre Rodas, por Ricardo Albino

America21 de novembro de 2015. O dia que até São Pedro resolveu torcer pelo América. Não entendeu? Vou contar a aventura para torcer pelo meu time no jogo que garantiu a volta à primeira divisão, no proximo ano.

No meio da semana, recebo um telefonema de um tio dizendo que vinha do interior para irmos ao estádio. Meu primo, também americano, queria conhecer o Independência e eu, além de compartilhar a emoção do garoto, aproveitei para matar a saudade dos tempos de torcedor. A acessibilidade era outro foco de análise. Porém, antes de sair de casa, tivemos que ficar de olho no céu. O tempo amanheceu nublado e se chovesse não teria como ir. Da janela, convidei São Pedro para fechar suas torneiras durante duas horas e vir com a gente secar o adversário.

Partimos duas horas antes para entrar no estádio com tranquilidade. Logo acima das primeiras cadeiras tem vaga para cadeirante e um acompanhante. A chuva não caiu, o sol deu o ar da graça e a bola rolou . Vendo o gramado lindo e vibração da torcida voltei no tempo. Em 1997 quando o time mineiro conquistou o título e chegou a elite no nosso futebol, o acesso aconteceu com um 0 a 0 contra a Ponte Preta de Campinas. Estive naquele jogo e apostei na fama de nunca ter visto uma derrota do América nas arquibancadas. Agora bastava um empate contra o Ceará e o objetivo estaria alcançado.

Nos tempos de menino, ganhei uma torta de chocolate do meu pai depois de uma vitoria contra o Cruzeiro. Bons tempos! Dessa vez, fiquei só na cerveja e na pipoca. Como o time Cearense abriu o placar e usava uniforme preto e branco cheguei a pensar que a zebra ia acontecer. Quase no fim do primeiro tempo, um policial parou bem ao meu lado e lhe perguntei as horas para saber quanto tempo ainda tinha para marcar um gol.

Parecia que seu polícia estava ali para, em pensamento, colocar ordem no time dentro do gramado. Gol do COELHO! Pulava na possante, gritava e vibrava junto com os familiares e pessoas que naquele momento se juntaram para comemorar. Um senhor se aproximou e ao me dar um escudo gigante, usado para incentivar a equipe, foi logo dizendo:

” Toma que vai trazer sorte. Torço para o América desde 1964 e nunca foi fácil ganhar. Se não for sofrido não é o nosso Mequinha”. Com o escudo gigante nas mãos, quase sem voz de tanto gritar, passei todo o segundo tempo dividindo meu olho esquerdo, o único que tenho visão, em quatro. Um na pelota, outro no relógio, o terceiro nas nuvens que voltavam pesadas e o ultimo no agitado primo que descia até o ponto mais perto do gramado e subia correndo para me encontrar.

Quando o árbitro apitou o término da partida foi emocionante ver o 1 a 1 no placar. Pela primeira vez ouvi o som dos foguetes sem me assustar. Pulei de felicidade com a família a festejar. Lembram-se do seu policia? Até ele voltou para me abraçar e disse: – “Voce é pé quente cara”, e eu respondi sem pestanejar: – Positivo, operante!

O escudo da sorte trouxe para casa e na parede do quarto vou colocar. Ano que vem, 2016, se Deus quiser, no duelo do América contra o Flamengo vamos estar e não importa quem ganhar, vou assistir meus dois times aqui em BH; do enfeite do bolo do aniversário de dez anos vou lembrar e mais um sonho realizar.

Ricardo Albino, jornalista, Coluna Sobre Rodas / Tudo Bem Ser Diferente

ricjornalista@hotmail.com / http://HYPERLINK “http://ricardo-albino.blogspot.com.br/” HYPERLINK HYPERLINK “http://ricardo-albino.blogspot.com.br/””http://ricardo-albino.blogspot.com.br

Fotos de arquivo pessoal

As opiniões aqui publicadas são de responsabilidade do colunista.

 

 

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