Projeto Humaniza UFMG quebra o silêncio do sofrimento mental

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#ParaTodosVerem Logo do projeto tem o contorno de um homem com uma mão em formato de coração, na cor verde. Abaixo, o texto Humaniza, na cor roxa. Mais abaixo, o texto UFMG, também em verde.

A estudante do curso de Comunicação Social da Universidade Federação de Minas Gerais (UFMG), Maria Luisa, sentia dores todos os dias. Foram inúmeras idas ao médico até descobrir que aqueles sintomas físicos não tinham origem no corpo: vinham da mente. Os avisos do corpo a impulsionaram a procurar ajuda, mesmo sem saber que se tratava de depressão. O caso de Maria Luisa, no entanto, é bem mais comum do que se imagina entre alunos de graduação da UFMG. Porém, muitas vezes, essa dor física e emocional é sentida calada e reflete na ausência das salas de aula e prazos não cumpridos. E com isolamento, a ajuda acaba não chegando.

 

Realmente não são raros os casos. Na UFMG, 13% da comunidade acadêmica se afastaram por transtornos mentais entre 2011 e 2015, de acordo com o Departamento de Atenção à Saúde do Trabalhador (DAST). Você pode até pensar: ‘ah, mas o sofrimento mental não é exclusividade da universidade!’. É verdade. No entanto, a universidade precisa olhar com mais atenção para essa realidade, que convida a refletir sobre as maneiras que as pessoas se relacionam neste meio.

 

E o que eu observo no meio acadêmico é uma lógica individualista, segregadora e competitiva, que pode até levar ao desejo do insucesso do colega. Essa lógica tem encurtado o caminho para as diversas maneiras de vivenciar o sofrimento mental. Essas são apenas algumas das queixas que escuto diariamente de estudantes universitários.

 

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#ParaTodosVerem Cartaz que intercala trechos de depoimentos de alunos da UFMG sobre sofrimento mental e imagens ilustrativas.

 

Onde a semente do afeto não é plantada, cresce a solidão e o sentimento de incapacidade. Muitos pensam em abandonar a graduação, outros, de fato não resistem. Em meio às confusões de sentimentos, acham que não merecem estar ali ou que ninguém é capaz de ajudá-los a sair do seu sofrimento. Para suportá-lo, o abuso de álcool e drogas se torna comum. Em casos extremos, o suicídio é o fim trágico desse sofrimento em silêncio. Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria, 90% das tentativas de suicídio são motivadas por sofrimentos mentais não diagnosticados ou mal tratados. Na UFMG, em um intervalo de apenas dois meses, ocorreram duas mortes por suicídios e uma tentativa.

 

Projeto Humaniza UFMG

 

Como estudante da UFMG, passo boa parte do meu dia na universidade e essas questões de saúde mental começaram a ganhar a minha atenção. O problema existe. Mas, daí, o que fazer com essa informação já é outra história. Foi então que surgiu a proposta de um trabalho de conclusão de curso, na área de Comunicação Social, sobre saúde mental na UFMG. Para o desafio de narrar em diferentes mídias histórias de quem já conviveu ou vivencia o sofrimento mental – seja ele a ansiedade, a depressão, a síndrome do pânico, entre outros – conto com a parceria afetuosa da também estudante de Comunicação Social Luiza Prado, que desenvolve este projeto comigo. O queremos? Explicamos na descrição descontraída sobre o projeto no facebook:

 

Viemos para abraçar! Na verdade, mais do que isso, fazer com que você se sinta acolhido_ mostrar que existe solução.Estamos aqui pra te ajudar, ouvir, sentir, compartilhar e juntos e

#PraTodosVerem: Cartaz com degradê azul e o texto: “Viemos para abraçar!
Na verdade, mais do que isso, fazer com que você se sinta acolhido; mostrar que existe solução.
Estamos aqui pra te ajudar, ouvir, sentir, compartilhar e juntos encontrar um caminho. Vem trocar ideia com a gente… é de graça!”. No rodapé, o logo do projeto.

 

 

A ideia não é substituir o apoio familiar, dos amigos ou a ajuda profissional. A intenção é ser mais um fio conectado a essa rede. A costura é por meio da comunicação, importante para dar visibilidade às questões relacionadas à saúde mental, promover o debate sobre o tema e compartilhar depoimentos de alunos e especialistas. Não estamos construindo nada sozinhas. Todo o material que produzimos, como poemas sobre a saúde mental, canal no Youtube com depoimentos de alunos e especialistas, cartazes para o facebook com dicas para uma convivência mais saudável na UFMG, são feitos com a participação de alunos, professores e funcionários da instituição.

 

O Projeto Humaniza é vinculado à Rádio Terceiro Andar, que exibe uma coluna sobre o trabalho. Enfim, espero que também se sintam abraçados por este projeto, que poderá ser acompanhada por aqui.

 

Sobre a colunista

 karlaKarla Scarmigliat é jornalista e aluna de graduação do curso Publicidade e Propaganda, na Comunicação Social da UFMG e co-idealizadora do projeto Humaniza UFMG. karlascarmigliat@gmail.com 

O conteúdo e as opiniões aqui expressadas são de responsabilidade deste colunista.