Plano de Desenvolvimento Individual – PDI

Cristina Silveira

Início de ano, é hora da escola ou do Psicopedagogo elaborar o PDI do aluno com deficiência intelectual. Mãos à obra!!!

O que é isso?

É um instrumento, um plano educacional utilizado para adaptar o currículo escolar às necessidades dos alunos de inclusão escolar. Está amparado na Lei da Inclusão Brasileira – LBI, nº  (Lei no 13.146/15), na Legislação Federal (Lei de Diretrizes e Bases da Educação  – Lei 9394/96) e em Minas Gerais está amparado pela Secretaria de estado de Educação , através da SD n° 01/2005 de 09 de abril de 2005, que orienta o atendimento de alunos com necessidades educacionais especiais decorrentes de deficiências e condutas típicas.

Qual o objetivo?

O PDI, visa adequar o currículo regular do ano em que a criança com deficiência está matriculada na escola regular, às suas necessidades pedagógicas, oferecendo as adaptações necessárias para a efetiva  aprendizagem do aluno.

Como isso é feito?

Considera as competências e potencialidades dos alunos, ou seja, suas habilidades e inabilidades para apresentar técnicas e métodos adequados, além de orientação a elaboração de materiais adaptados, apoiando e orientando os professores, promovendo assim a aprendizagem a qual os alunos com deficiência cognitiva tem direito.

O que são adaptações?

As adaptações tem o currículo regular como referência básica , já que adotam formas progressivas de adequação com as necessidades do aluno, aproveitando as suas habilidades para a inserção do conteúdo escolar. As adaptações dos conteúdos pedagógicos e do processo avaliativo devem obedecer algumas estratégias, como por exemplo:

– adequar os objetivos, conteúdos e critérios de avaliação, o que implica modificar os objetivos , considerando as condições do aluno em relação aos demais alunos da turma;

– priorizar determinados objetivos, conteúdos e critérios de avaliação, para dar ênfase aos objetivos , conteúdos e critérios de avaliação, para dar ênfase aos objetivos que contemplem as deficiências do aluno suas conduta típicas e altas habilidades, não abandonado os objetivos definidos para o grupo, mas acrescentando outros, concernentes com suas necessidades educacionais especiais;

– Considerar que o aluno com necessidades especiais pode alcançar os objetivos comuns ao grupo, mesmo que possa requerer um período mais ongo de tempo. De igual modo, pode necessitar de período variável para o processo de ensino-aprendizagem e desenvolvimento de suas habilidades;

– Cursar menos disciplinas durante o curso,serie ou ciclo, para que desse modo estender o período de duração do curso, serie ou ciclo que frequenta;

– Introduzir conteúdos, objetivos e critérios de avaliação, o que implica considerar a possibilidade de acréscimo desses elementos na ação educativa caso necessário à educação do aluno com necessidades especiais.

– Eliminar conteúdos, objetivos e critérios de avaliação, definidos para o grupo de referencia do aluno, em razão de suas deficiências ou limitações pessoais. A supressão desses conteúdos e objetivos da programação educacional regular não deve causar prejuízos para a sua escolarização e promoção acadêmica. Deve considerar rigorosamente o significado dos conteúdos.

Alguns alunos de inclusão escolar, exigem adaptações significativas no currículo para o atendimento dos alunos e indicar conteúdos curriculares de caráter mais funcional e prático, levando em conta as suas características individuais, podendo ser considerados currículos especiais, exigindo uma diversificação curricular. Envolvem atividades relacionadas às habilidades básicas, à consciência de si, aos cuidados pessoais e de vida diária, ao treinamento multissensorial, ao exercício da independência e ao relacionamento interpessoal, dentre outras. Esses currículos são conhecidos como funcionais e devem contar com a participação da família e ser acompanhado de um criterioso e sistemático processo de avaliação pedagógica e psicopedagógica do aluno, avaliando os procedimentos pedagógicos empregados na sua educação, uma vez que na organização desse programa não é levado em conta as aprendizagens acadêmicas.

O que precisa ser feito antes da elaboração do PDI?

Estas medidas devem ser precedidas de uma criteriosa avaliação do aluno, considerando a sua competência acadêmica. Isto se realiza através de testes e avaliações psicológicas e pedagógicas. Além disso, devem ser considerados como elementos de apoio a família, profissionais, monitores, orientadores; recursos físicos, materiais, ambientais; as atitudes, os valores, as crenças, os principios; as deliberações e decisões políticas, legais, administrativas; os recursos técnicos e tecnológicos; os programas de atendimentos genérico e especializados.

Além disso, as decisões de apoio devem considerar as áreas prioritárias a serem apoiadas; identificação dos tipos mais eficientes de apoio; se o apoio deve ser prestado dentro ou fora da sala de aula, em grupo ou individualmente; definindo as funções e tarefas dos diferentes profissionais envolvidos na prestação do apoio.

Todas as escolas elaboram o PDI?

Atualmente, os sistemas educacionais revelam dificuldades para atender às necessidades especiais dos alunos de inclusão na escola regular, A flexibilidade e dinamicidade do currículo regular podem não ser suficientes para superar as restrições dos sistemas educacionais ou compensar as limitações reais desses alunos, fazendo com que as adaptações curriculares individuais sejam necessárias. Cabe às famílias exigirem tal instrumento, e caso não seja realizado, buscar ajuda especializada para apoio e orientação, além de intervenção na escola.

Os professores ganham com isso?

A utilização desse programa facilita a aprendizagem do aluno, facilita o trabalho do dos professores que passam a contar com um estudo onde se tem técnicas e estratégias direcionadas para lidar com as dificuldades da criança, além do apoio das famílias e dos profissionais que assistem a criança fora do ambiente escolar. A escola por sua vez se vê inserida em um processo que pode conduzir à educação inclusiva de fato, eliminando muitos dos conflitos que poderiam existir entre pais e escola, evitando que as discussões e desentendimentos culminem no judiciário, no Ministério Publico ou na Defensoria Publica, onerando os gastos públicos e trazendo prejuízos ainda maiores para a própria criança nesse processo.

Esse programa, se bem utilizado, pode servir como um denominador comum entre família, escola, judiciário e profissionais da saúde para que se realize  de fato a inclusão escolar da criança  deficiente.

 

CristinaCristina Silveira

* Psicopedagoga, psicanalista, neuropsicopedagoga

Especialista em educação inclusiva

Mestranda em educação especial

(031- 36588830 – Whatsaap: 999356228)