Somos todos diferentes

*Andreza Brito

O encantamento com a curiosidade das crianças sempre foi imediato. Dá vontade de chegar perto, explicar, até mesmo criar alguma história fantástica que traga respostas encantadoras aos questionamentos. Lembro bem da entrevista que fiz com o artista plástico Marcelo Xavier. De tudo o que foi dito, me marcou a forma como ele se aproxima das crianças. Durante as oficinas de modelagem com massinha, ele vai construindo os contornos de uma relação em que deficiência não é problema, apenas característica. Marcelo narra as aventuras vividas em sua cadeira que voa. E mesmo que as rodas não saiam do chão, a cabeça dos meninos vai longe. 

Os pequenos brigam, fazem as pazes, brincam, tudo ao mesmo tempo. E ainda soltam aquelas perguntas lindas e desconcertantes. Achei impagável a reação da mãe de um garoto decidido a não conter a curiosidade diante das muletas de meu namorado (agora noivo). “Porque você anda assim?”. Foi o menino abrir a boca pra ela querer sumir. Precisou repreender o filho. Tentei interferir pra ver se amenizava o clima, mas ela disse: “Desculpa, é que tem gente que não gosta”. Pode ser mesmo desconfortável viver explicando porque você é de um jeito e não de outro. Se no fim das contas somos todos diferentes mesmo. Mas tenho pensado que essa curiosidade infantil e tão genuína pode nos fazer um favor para o futuro. Fico imaginando essa meninada daqui a uns anos,  encarando o diferente sem o espanto todo que ele gera em alguns adultos de hoje. 

 

foto Andreza Brito trabalha na Rede Minas e é criadora do quadro Acessibilidade do Jornal Minas. Adora fotos, plantas e esportes. Descobriu que gostava de fazer reportagens com um olhar diferente sobre as diferenças por causa de duas paixões: o jornalismo e o noivo Matheus,