Educação de química para pessoas com deficiência visual.

O que impede de pessoas com deficiência participarem da vida social em igualdade com pessoas sem deficiência? As teorias sobre deficiência e a legislação que temos sobre o assunto, afirmam que são as barreiras, as causas para participação social desigual de pessoas com deficiência.

É nesse ambiente, numa das formas de participação social, que é a escolarização, que a dissertação de Cristina de Barcellos Passinato propõe uma pesquisa sobre imagens audiodescritivas num livro de química. É uma oportunidade rica para pensarmos como ensinamos, como incluímos e excluímos. Para dar um gostinho do que trata a dissertação, publico abaixo o resumo. Se você quiser ler o trabalho, clique aqui.

 

RESUMO

O presente trabalho é uma análise de um dos livros didáticos do PNLD 2015 utilizando a noção de obstáculos epistemológicos de Bachelard como referencial teórico. Esse exercício consistiu em analisar as imagens e os textos dos roteiros de suas audiodescrições dos capítulos sobre o tema “evolução dos modelos atômicos” do volume 1 da coleção “Química” de Martha Reis. Primeiramente foram realizadas análises de algumas imagens e suas respectivas audiodescrições dos capítulos 7 e 11, em busca de se identificar possíveis obstáculos epistemológicos. Logo após tal exercício teórico, iniciou-se a pesquisa de campo, envolvendo alunos cegos do Núcleo de Atendimento a Pessoas com Necessidades Especiais do Colégio Pedro II (Unidade São Cristóvão). Os alunos participantes foram selecionados através de sondagens sobre o conhecimento do assunto abordado. Os resultados obtidos foram surpreendentes quanto aos perfis pré-diagnosticados na fase da sondagem dos alunos, porém a presença dos obstáculos no livro texto, na versão em áudio e nas respostas dos alunos foi previsível. Os obstáculos encontrados foram, principalmente, de natureza realista e verbal. Concluiu-se que o livro em áudio é necessário ao aluno cego, porém, é importante que o cuidado com a qualidade do que se é produzido prevaleça. Se por sua vez, em audiodescrições de representações imagéticas mais simples, os obstáculos epistemológicos podem ser contornados, por outro lado, em imagens mais complexas,tal fato não é verdadeiro. Em ilustrações mais detalhadas, os obstáculos encontrados são reforçados ou mesmo ocorrem erros graves na construção de roteiros áudio-descritivos, reproduzindo a qualidade ruim do material impresso do livro texto.