O futuro da tecnologia é acessível?

* Carlos Wagner

 

Esses dias vi nas redes sociais o vídeo que posto abaixo. É um vídeo do XBOX dizendo sobre o lançamento de um novo controle para jogos do XBOX. Lembrei imediatamente do João (meu filho) e de mim mesmo. Enquanto assistia ao vídeo pensava: por que até hoje somos tão atrasados no sentido do acesso aos jogos eletrônicos pelas pessoas com deficiência? Por que até hoje os equipamentos de lazer em geral são pouco acessíveis?

 

Clique na imagem para assistir ao vídeo.

Sem título

#pratodosverem: a tela é verde e está escrito Xbox. Fim da descrição.

Eu joguei videogame nos anos 80, chamava-se Atari, tinha um pino e um botão, gostava daquilo, me realizava como jogador e como diversão. À medida que os jogos foram se desenvolvendo os controles começaram a ter vários botões e eu não consegui jogar mais, era muito controle corporal e mental que precisava ter para jogar e, honestamente, eu sou muito abrutalhado para atividades manuais. O João, que tem o lado esquerdo do corpo comprometido funcionalmente pelas consequências da paralisia cerebral, também adora jogar, tem XBox e Wii, mas em nenhum deles ele joga com a totalidade de sua vontade e potência. Por exemplo, no FIFA 17 para Xbox, ele não consegue simultaneamente jogar com os botões de jogadas, direcionamento e velocidade dos jogadores. Ele vê os colegas jogarem e percebe claramente que a forma com a qual ele joga é limitada pelo controle. As barreiras impostas pelo controle acabam fazendo com que ele abandone os jogos.

 

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#pratodosverem: a foto é de um controle de Xbox da cor preta. Fim da descrição.

No Wii, jogos que obrigam o uso de duas manetes conectadas, como por exemplo, jogo de tênis, ele joga com uma e eu com a outra. A ação completa do jogo é sempre interdependente.

 

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#pratodosverem: Controle de Wii, cor banca. Fim da descrição.

 

O que tenho observado é que, é o acesso ao mundo público que tem permitido que cada vez mais pessoas tenham acesso aos equipamentos sociais, é assim com as mulheres, é assim com a população negra, com as pessoas LGBTI e caminha na mesma direção com as pessoas com deficiência. É da prisão dos lares, das escolas especiais e dos manicômios que precisamos nos libertar, para poder efetivamente construir uma sociedade inclusiva.